Posts filed under '7 erros de uma igreja bem intencionada'

#3 olhar pra cima e nunca ao lado

Lembro de uma canção que diz: “Em memória de mim buscai a Deus no coração, não no céu, no coração”.

Houve uma época em que os pensadores e filósofos cristãos eram acusados de serem teóricos, retóricos. A fé tinha se tornado racional e disconexa de ações práticas. Havia muito que os pensadores tinham detonado as pontes com o anseio de um povo carente de Jesus. A paixão que movia cristãos a agirem com amor ao próximo rompendo as barreiras de sua época foi substituída pela pureza filosófica e doutrinária. A fé virou acadêmica e contemplativa. Essa igreja sem respostas reais foi perdendo relevância.

A igreja evangélica vive um “admirável” novo tempo. Os evangélicos de hoje tem muita paixão e proclamam juras de amor ao Deus que está no céu.

Este tempo (quase) terminou. A igreja evangélica vive um “admirável” novo tempo. Os evangélicos de hoje tem muita paixão e proclamam juras de amor ao Deus que está acima dos céus. Vemos isso nas músicas, nas pregações e nos novos movimentos que confessam ser uma geração “apaixonada por Jesus“. Um verdadeiro show de extravagâncias!

Ambas as igrejas estão sempre com os olhos pra cima (ou pensam que estão). A antiga, na sede por definir racionalmente a divindade através de doutrinas e teologias. A nova, quer experimentar o Jesus que subiu ao céu. De formas opostas, anseiam estar o mais rápido possível lá, esquecendo-se de quem está ao lado aqui na terra.

As comunidades do individualismo denunciam o mal do nosso tempo, onde o que mais importa para o homem é a sua própria experiência de Deus.

A geração de hoje é insípida, líquida e ignorante para ter uma prática filosófica e acadêmica. Ela tem pressa e substituiu as comunidades tradicionais e doutrinárias por igrejas da terceira onda. Uma legião de ignorantes armados de paixão e um notebook com acesso ao Orkut espalham o movimento da paixão sem razão e ação. Parafraseando Jesus aos fariseus: “cantam muitas músicas Gospel, mas estão longe no coração”. Eles tem a paixão e a intenção zelosa, mas o coração no céu afastado de Jesus e insensível ao irmão que está logo ao lado.

As comunidades do individualismo denunciam o mal do nosso tempo, onde o que mais importa para o homem é a sua própria experiência de Deus. Suas emoções, vontades e carências devem ser preenchidas mesmo que só no momento de culto. Não há mais o Corpo no qual pessoas suportam e aconselham uns aos outros em amor. Há sim vários corpos e umbigos querendo alcançar a experiência máxima do céu.


Add comment 19 - Julho, 2008

#2 Estar satisfeita com aquilo que tem

A maioria das igrejas sempre tem histórias muito bonitas regadas por determinação, fé e visão de alguns corajosos cristãos. Comunidades locais são plantadas por heróis da fé e regadas pela ação do Espírito Santo para que possam render seus primeiros frutos para o Reino de Deus.

O Corpo de Cristo é composto sempre por gente. E gente é o que realmente importa. Eles edificam junto com Jesus Cristo a história suada da igreja. Os exemplos podem variar desde gente que empenhou seus próprios bens para que não faltasse luz no salão até casos de pessoas que dirigiram centenas de quilômetros por dia para levar o evangelho para gente que precisava ouvi-lo. Um misto de amor, abnegação, paixão, sangue, suor e muitas lágrimas. A Igreja de Jesus Cristo é como diz o Pr. Ed René: “pessoas precisam de pessoas, pessoas precisam de Deus”.

Em algum momento contudo, o que era paixão vira razão, as feridas de sangue começam a se cicatrizar e perdoem-me a poesia barata, mas nos “cansamos do cansaço”. Parece que não temos mais prazer em ser abnegados e sofrer pelo Corpo. Na verdade, o Corpo começa a virar um grande peso morto nas nossas costas. A ousadia de outrora é substituída por medidas de esforço gerencial. Vamos manter a lojinha aberta até o céu ou a volta de Jesus.

É melhor assim. Temos uma comunidade muito bonita com pessoas de todas idades, crianças e velhos em nosso salão adorando a Deus de olhos fechados. Que bonito! Já imaginaram colocar tudo isso a perder colocando o pé no mundo de novo? Os riscos não devem ser ignorados: confusão, divisão, recursos humanos e financeiros escassos…

Lembre-se que se você hoje faz parte do Corpo de Cristo em uma comunidade local é porque algumas pessoas intrépidas e ousadas não estavam satisfeitas com aquilo que já fizeram, mas correram atrás e com temor e tremor ouviram o Espírito de Deus. Ignoraram medos e foram proclamar que o Reino de Deus chegou!

O bom pastor é aquele que vai atrás de uma única ovelha perdida arriscando as outras 99. Talvez seja a hora de nós comunidades cristãs voltarmos a nos sujar na trilha do Reino de Deus.


Add comment 13 - Junho, 2008

#1: Deixar de jogar todos os holofotes para a graça de Jesus Cristo

Se Jesus é o motivo pelo qual nos reunimos como igreja a graça é razão pela qual estamos ao Seu lado. Imagine que senão fosse o favor imerecido ou o misterioso amor que moveu Deus ao ato da cruz nada seria possível. Nossa salvação é produto da graça, algo que jamais poderíamos ter conquistado pelos nossos próprios esforços.

Como diz Philip Yancey: “Não há nada que você possa fazer para que Deus nos ame mais ou menos. Ele simplesmente nos ama”.

Essa verdade me libertou de um pesado fardo imposto pela religião que assombrou alguns anos da minha vida. Não digo que meus tutores e amigos foram cruéis ou mal-intencionados comigo. Eles tiveram o melhor dos propósitos que era tentar me trazer para mais perto de Cristo, caminhar os passos de Jesus. Algumas vezes, tentaram fazê-lo através de sufocantes botas ortopédicas.

A graça liberta, revive, reanima. É por causa dela que nos movemos, vivemos e existimos. Deveria ser assim com a Igreja de Jesus Cristo. Todas as perguntas que permeiam a realidade da nossa vida em comunidade deviam ser respondidas pela graça de Deus. Senão for assim, nossa fé é vazia pois se transformou em lei.

Exemplos:

P: Por que nos reunimos num domingo frio de manhã?
R: Por causa da graça de Jesus.

P: Devo ficar esse domingo de manhã com minha família ao invés de “ir no culto”?
R: Se você for dedicar esse tempo para ser gracioso com a família assim como Deus foi com você, é claro que sim!

P: Devemos fazer uma reunião de oração na véspera do feriado a noite?
R: Será que nessa reunião a graça e o favor de Deus serão manifestos a TODOS os presentes (mesmo os que estão a contragosto)?

P: Devemos construir uma nova sala de aula em nossa igreja ou doar o dinheiro para missões?
R: Qual vai dispensar mais graça aos que necessitam dela?

P: Devo dar sempre 10% do meu salário para a igreja como dízimo?
R: A graça te torna livre para dar o quanto tiver em sua consciência (inclusive mais que 10%).

A graça é a resposta que nos liberta para vivermos com responsabilidade. Na comunidade da graça ninguém é OBRIGADO a nada, o que nos exorta a uma RESPONSABILIDADE ainda maior.


Add comment 8 - Junho, 2008

Os 7 erros de uma igreja bem intencionada

#1: deixar de jogar todos os holofotes para a graça de Jesus Cristo.

#2: estar satisfeita com aquilo que “tem”.

#3: olhar pra cima e nunca ao lado.

#4: perder a coragem, determinação e pioneirismo.

#4: olhar pra cima e nunca ao lado.

#5: olhar a multidão como massa manipulável.

#6: caminhar com os olhos e pés distantes do Reino de Deus.

#7: tornar-se inócuo e irrelevante.

Uma igreja bem intencionada é honesta e tem líderes íntegros. São zelosos em fazer o melhor para Jesus Cristo. Excluem-se aquelas que tem pastores lobos e somente estão interessadas em explorar o povo e pilham a graça de Jesus Cristo ao negociar bênçãos com Deus.

Algumas igrejas bem intencionadas ainda não sabem como trilhar os passos no caminho do Reino de Deus. Comunidades do Reino devem ser promotores da justiça, da paz e principalmente da alegria no Espírito Santo (Rm 14:17).

Vamos em frente!


Add comment 2 - Abril, 2008


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