#3 olhar pra cima e nunca ao lado

Lembro de uma canção que diz: “Em memória de mim buscai a Deus no coração, não no céu, no coração”.

Houve uma época em que os pensadores e filósofos cristãos eram acusados de serem teóricos, retóricos. A fé tinha se tornado racional e disconexa de ações práticas. Havia muito que os pensadores tinham detonado as pontes com o anseio de um povo carente de Jesus. A paixão que movia cristãos a agirem com amor ao próximo rompendo as barreiras de sua época foi substituída pela pureza filosófica e doutrinária. A fé virou acadêmica e contemplativa. Essa igreja sem respostas reais foi perdendo relevância.

A igreja evangélica vive um “admirável” novo tempo. Os evangélicos de hoje tem muita paixão e proclamam juras de amor ao Deus que está no céu.

Este tempo (quase) terminou. A igreja evangélica vive um “admirável” novo tempo. Os evangélicos de hoje tem muita paixão e proclamam juras de amor ao Deus que está acima dos céus. Vemos isso nas músicas, nas pregações e nos novos movimentos que confessam ser uma geração “apaixonada por Jesus“. Um verdadeiro show de extravagâncias!

Ambas as igrejas estão sempre com os olhos pra cima (ou pensam que estão). A antiga, na sede por definir racionalmente a divindade através de doutrinas e teologias. A nova, quer experimentar o Jesus que subiu ao céu. De formas opostas, anseiam estar o mais rápido possível lá, esquecendo-se de quem está ao lado aqui na terra.

As comunidades do individualismo denunciam o mal do nosso tempo, onde o que mais importa para o homem é a sua própria experiência de Deus.

A geração de hoje é insípida, líquida e ignorante para ter uma prática filosófica e acadêmica. Ela tem pressa e substituiu as comunidades tradicionais e doutrinárias por igrejas da terceira onda. Uma legião de ignorantes armados de paixão e um notebook com acesso ao Orkut espalham o movimento da paixão sem razão e ação. Parafraseando Jesus aos fariseus: “cantam muitas músicas Gospel, mas estão longe no coração”. Eles tem a paixão e a intenção zelosa, mas o coração no céu afastado de Jesus e insensível ao irmão que está logo ao lado.

As comunidades do individualismo denunciam o mal do nosso tempo, onde o que mais importa para o homem é a sua própria experiência de Deus. Suas emoções, vontades e carências devem ser preenchidas mesmo que só no momento de culto. Não há mais o Corpo no qual pessoas suportam e aconselham uns aos outros em amor. Há sim vários corpos e umbigos querendo alcançar a experiência máxima do céu.

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