Não há como defendê-la?

Um post do Paulo Brabo me fez pensar bastante sobre a igreja, o Evangelho e como fico no fogo cruzado entre os dois. O culpado é esse aí: http://www.baciadasalmas.com/2008/confissoes-de-um-ex-dependente-de-igreja/

Sou um dependente da igreja. E tenho orgulho disso. Dentro dela vivi momentos inesquecíveis. Acudi e fui acudido. Amei e fui amado. Caí ferido, as vezes sozinho, outras devido a um encontrão. E foi assim, de glória em glória caminhando cantando e seguindo a canção. Um dia descobri que a igreja que conhecia era uma comunidade, e que isso devia ser diferente do que conhecia como igreja.

Desde a pequena igreja que parece um clube de chá até a mega igreja que tem diretoria executiva, metas e gasta milhões com ONGs, todos têm disputado uma corrida pelas obras que vivificam a fé. Uma comunidade com um ideal de obra em comum. Legítimo!

Mas a pergunta fica: que obra as comunidades tem construído? São as obras do Evangelho ou uma bela corrida por prestar os melhores serviços aos seus usuários? Será que as comunidades não se perdem no bem comum travestido de causa do reino ou ainda no assistencialismo como fim e não meio? E se o problema não são as obras em si, qual é a questão de fato?

Talvez uma síntese de Evangelho retratada por Paulo ilumine as penumbras em nossas comunidades. Por melhor que seja o ambiente de reunião ou por mais cestas básicas que sejam distribuídas, uma comunidade só é igreja quando vive Colossenses 3 e I Coríntios 13. Sem o entrelaçar de vidas (o paradigma do “uns aos outros”) , o amor e a submissão ao cabeça que é Cristo a igreja é apenas mais uma comunidade, e não Corpo de Cristo. Servir pessoas para glorificar a Deus é muito mais que fornecer serviços para o bem-estar de uma comunidade, é levar pessoas a serem discípulos integrais de Cristo.

Por que a igreja não ousa confrontar as pessoas em seu pecado? Por que a igreja se veste do espírito da época do “deixa disso” e não visa restaurar relacionamentos como em Mateus 18 ou Tiago 5:16? Por que é melhor manter as aparências de uma organização bem administrada ou de uma “família feliz” ao invés de colocar o dedo na ferida?

Enquanto pensarmos assim, nunca seremos Corpo e continuaremos sendo comunidade. Iguaizinhos às comunidades dos naturalistas, ambientalistas, surfistas, rastafaris. Daquelas que você vai, junta-se a um monte de gente desconhecida, e sai de lá apenas satisfeito (ou não) porque prestaram-lhe um serviço.

Daí o Paulo Brabo continuará certo.

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