A verdade sobre Adão – parte II

25 - novembro, 2008

Adão era o cara! Tinha o melhor emprego do mundo (humm, vaca, cavalo, bichano, não! gato…). Uma esposa estonteante e belíssima e uma casa com um jardim com vista para o esplendor da Criação. Se fosse um condomínio paulistano da Abyara seria algo como “Villaggio de Mesopotâmia” ou “Éden Park Resort”.

Eden Condominium

Eden Condominium

Ele não era o dono, mas era o gerente. Deus tinha concedido autoridade pois tudo foi feito para que o homem vivesse em sua plenitude (os naturistas, ecólogos e teólogos liberais duvidam disso, azar).

A rebeldia do casal contra o dono fez com que a perfeita Criação sofresse transformações catastróficas. Não sabemos o que o pecado causou no cosmos, na matéria e até nas interações químicas. O efeito sabemos: o pecado trouxe a morte.

Adão tinha a chance de ter uma vida perfeita (os liberais também discordam aqui, mas convenhamos, eles são quase ateus). Preferiu ser dono de si mesmo e contrariar o Criador. Por um só homem fomos todos condenados ao caos e á desolação. A rebeldia sem causa de um (ou dois) nos levou à barbárie ignorante.

Pobre Adão! Pobre de nós!

Para ver a Parte I…

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#5: olhar a multidão como massa manipulável

21 - novembro, 2008

Nunca entendi direito o Proto-evangelho da auto-ajuda chamado “Como fazer amigos e influenciar pessoas”. As pessoas mais próximas de mim sabem que eu odeio esse gênero literário tipo de coisa impressa. Os poucos que li foram em “diagonal” é verdade. Deve ser porque não estou a altura dos grandes gurus, ou quem sabe sou incapaz de fazer muitos amigos e mais ainda influenciar ou convencer alguém.

Semana passada mesmo não conseguia convencer o meu sobrinho de 3 anos a trocar de camiseta.

Por isso decidi seguir outro caminho. Sei que estou fadado ao fracasso seja no ambiente corporativo ou no meio gospel-abençoado. Dentre os fracassos, ainda prefiro a autenticidade dentro do meu quadrado ao invés de tentar influenciar o mundo com verdades e pragmatismos.

Talvez influenciar o mundo seja muita pretensão. Quem sabe começar pelo meu círculo social o que no caso de muitos é a igreja local. Aí fica mais fácil. Sei dos seus costumes, dogmas e desejos. O que eles querem consumir e o que os agrada. Melhor: o que mais atormenta e amedronta segundo a nossa mesma fé e intenção.

Eis que surge a idéia: por que não criar várias regras e políticas para que alcancemos melhor nossos objetivos de fé? Precisamos contudo que todos o façam pelo “bem comum”, mesmo que eles não queiram ou não saibam porque o querem.

O Evangelho precisa alcançar o mundo e para tanto precisamos fazer um sacrifício uníssono pela fé. Só o altruísmo e a boa vontade individuais não serão suficientes. Esses pobres fiéis e ignorantes não sabem direito o que fazer porque são “imaturos na fé”. Cabe a nós, (déspostas) esclarecidos conduzir esse povo a um salto de qualidade de vida em fé, adoração e serviço.

Talvez precisemos redefinir algumas questões bíblicas difíceis como a honestidade, a sinceridade e o pecado. Inclusive quando o assunto é quebra de relacionamentos e divergências. Coisas delicadas como essas não cabem em uma comunidade unida pelo “bem-maior”. Precisamos passar por isso como um rolo compressor. Enfiar a cabeça num buraco na terra como um avestruz também é uma boa pedida.

No púlpito precisamos ter respostas prontas, pregações aguadas e muito aconselhamento barato. A Bíblia ainda será pregada mas sob uma nova perspectiva. Para os mais limitados intelectualmente, recomenda-se um estudo dirigido utilizando livros americanóides de “40 dias” e “6 passos”. Talvez seja necessário rasgar da Bíblia Mateus 18, o livro de Atos, Galátas e a primeira metade de Romanos.

Não acho que assim estaremos alterando a essência do evangelho. Talvez apenas reiterando o que é mais desejável e necessário para que nossa ignorante massa, digo comunidade ouça. Ainda falaremos de Jesus (no natal e na páscoa), Moisés e outros profetas de poder. Ah não podemos esquecer dos dizeres bonitos de Salmos e Provérbios no melhor estilo “Cid Moreira”. Sempre falaremos da graça salvadora é claro, mas de forma bem superficial e insossa.

Uma comunidade assim pode estar muito bem intencionada, mas está perdendo uma grande oportunidade de amadurecer a partir da pregação da Palavra, seu estudo e aplicação. Esse último fundamental: sem o compartilhar de vidas em Cristo segundo a sua Palavra, não há Igreja que preste!


O ditador em três atos

16 - novembro, 2008

Como deve ser um governante? Deve ser justo, pensar no bem coletivo (bem maior?) e carismático? Quem sabe altruísta, ou talvez um líder confiante com planos e princípios bem definidos? Alguns diriam que o mais importante é a competência técnica, a ética e a capacidade de motivar seus subordinados (Você S/A).

Caso todas essas características fossem realmente as ideais (você provavelmente escolheria outra ou descartaria alguma) será que existe ou existiu um líder com tais características? Alguém que conseguisse ser impecável na ética e inspirar o povo. Atrair com as suas idéias e simultaneamente ser eficaz na prática de seu governo?

Você pode estar pensando em vários nomes: Chuchill, De Gaulle, John Kennedy? George Washington, Marco Antônio, Alexandre? Lula, Obama, Steve Jobs?

O povo é carente de líderes para se espelhar e inspirar. Assim como os elege e coloca num pedestal, rapidamente os ridiculariza e trucida. Quando a massa é intrinsicamente corrupta e tola (como a história brasileira nos mostrou no século passado), surge o cenário atraente para o nascimento do ditador.

Seja no planalto central, no departamento da sua empresa ou no púlpito da sua igreja local, sempre haverá a possiblidade do ditador. Algumas vezes ele é colocado arbitrariamente por um agente externo. Frequentemente o poder do ditador nasce no seio daqueles que serão oprimidos pela sua tirania. Como diz o ditado: “a voz do povo, é o megafone do ditador”.

O primeiro livro de Samuel conta a história de um ditador eleito pelo povo. Saul foi um líder aclamado pelo povo. Escolhido por uma massa que acreditava em suas capacidades pessoais. O Obama de Israel era tão lindo quanto o americano, mas longe do coração de Deus (a analogia com o Obama pára por aí… acho).

Em três partes, vou passar as impressões que tive desse Saul-rei-ditador. Um líder descolado tão incompetente quanto eu e você.


Isso aqui tá pegando fogo

15 - novembro, 2008

Uma das coisas que mais me irrita na miopia teológica de nossa igreja é a ignorância quanto à escatologia, ou seja, o conhecimento das coisas futuras. As frases que eu mais escuto são:

  • Isso não é importante já que temos certeza que todos vão para o céu.
  • O Apocalipse e o fim do mundo me assustam, melhor não saber o que está por vir.
  • Escatologia é fanatismo e fundamentalismo teológico. Eu estudo a “Teologia de Cristo”.

Gosto da frase: “Todo cristão vai para o céu, mas ninguém ganha medalinha por ignorância”. O cristão deve saber porque foi salvo e qual o propósito de sua vida. Precisa ainda conhecer o destino final da raça humana e do Universo como o conhecemos aguardando ansiosamente pelo Retorno do Rei.

Você pode viver por aí achando que o céu é aqui e que Deus é um “padrinho mágico” que vai garantir o paraíso e o bem-estar aos seus afilhados agora nesta presente realidade. Crentes desinformados ignoram o Reino milenar ou simplesmente não acreditam em tal coisa. Subterfúgios como “Ele reina lá no céu” ou “Ele reina em nossos corações” são frequentemente usados.

O cristão consciente sabe que a sua real esperança está no Reino de Deus que foi anunciado por Jesus Cristo e se cumprirá no final dos tempos, quando o Rei voltará para governar sobre a Terra. Todo o desenrolar dos acontecimentos escatológicos envolverá o resgate final de Israel, a consumação do reino milenar literal e o julgamento dos ímpios (quem lê, entenda).

Essa conversa pode soar nos dias atuais como fundamentalismo e fanatismo. A escatologia bíblica nos diz que esse mundo é um prédio condenado pegando fogo e que nós devemos colaborar para o combate do fogo até que o Bombeiro volte com o seu machado e enfie o pé na porta para nos resgatar *.

*Peguei essa analogia emprestada do Ariolvado Ramos


A maldição da fé genérica

1 - novembro, 2008

O apóstolo Paulo em sua carta à igreja de Roma deixa claro que a justificação é pela fé. Por justificação entenda-se permanecer justo perante Deus. Não existe nenhum outro artifício para isso. Nada de religião, caridade ou hereditariedade. É somente e tão somente a fé.

Se a questão central é a fé, precisamos então defini-la. E grande é o problema.

Nossa geração é razoavelmente burra em definições. Graças às psicologias, filosofias, sociologias e outras “-logias” as palavras perderam a sua definição. Os barbudinhos das ciências humanas gostam de resignificar, analisar e buscar definições mais profundas. Para piorar a situação, os pensadores cristãos pós-modernos compraram as idéias dos “logismos” e decidiram trocar o significado da fé bíblica pela maldita fé genérica.

Não vou tentar buscar um significado bíblico definitivo para a fé. Existe gente muito mais competente fazendo isso. Teólogos sérios com vidas dedicadas servindo a Cristo, deixo para eles.

O que tento fazer sem muito sucesso é imitá-los. Esses por sua vez tentam imitar outros, começando por Abraão, Moisés, Raabe, Elias, Paulo, TImóteo. Homens tão falíveis quanto nós mas que viveram a fé.

O caminho da fé genérica de nossos dias passa pela crença no imponderável, superstição, mandingas e incoerência.

A fé suada e vivida é uma decisão, que resulta numa ação. Continuar a caminhada de fé é um exercício de perseverança. A nossa motivação é a esperança em Cristo Jesus que nos dá paz e alegria.