#5: olhar a multidão como massa manipulável

Nunca entendi direito o Proto-evangelho da auto-ajuda chamado “Como fazer amigos e influenciar pessoas”. As pessoas mais próximas de mim sabem que eu odeio esse gênero literário tipo de coisa impressa. Os poucos que li foram em “diagonal” é verdade. Deve ser porque não estou a altura dos grandes gurus, ou quem sabe sou incapaz de fazer muitos amigos e mais ainda influenciar ou convencer alguém.

Semana passada mesmo não conseguia convencer o meu sobrinho de 3 anos a trocar de camiseta.

Por isso decidi seguir outro caminho. Sei que estou fadado ao fracasso seja no ambiente corporativo ou no meio gospel-abençoado. Dentre os fracassos, ainda prefiro a autenticidade dentro do meu quadrado ao invés de tentar influenciar o mundo com verdades e pragmatismos.

Talvez influenciar o mundo seja muita pretensão. Quem sabe começar pelo meu círculo social o que no caso de muitos é a igreja local. Aí fica mais fácil. Sei dos seus costumes, dogmas e desejos. O que eles querem consumir e o que os agrada. Melhor: o que mais atormenta e amedronta segundo a nossa mesma fé e intenção.

Eis que surge a idéia: por que não criar várias regras e políticas para que alcancemos melhor nossos objetivos de fé? Precisamos contudo que todos o façam pelo “bem comum”, mesmo que eles não queiram ou não saibam porque o querem.

O Evangelho precisa alcançar o mundo e para tanto precisamos fazer um sacrifício uníssono pela fé. Só o altruísmo e a boa vontade individuais não serão suficientes. Esses pobres fiéis e ignorantes não sabem direito o que fazer porque são “imaturos na fé”. Cabe a nós, (déspostas) esclarecidos conduzir esse povo a um salto de qualidade de vida em fé, adoração e serviço.

Talvez precisemos redefinir algumas questões bíblicas difíceis como a honestidade, a sinceridade e o pecado. Inclusive quando o assunto é quebra de relacionamentos e divergências. Coisas delicadas como essas não cabem em uma comunidade unida pelo “bem-maior”. Precisamos passar por isso como um rolo compressor. Enfiar a cabeça num buraco na terra como um avestruz também é uma boa pedida.

No púlpito precisamos ter respostas prontas, pregações aguadas e muito aconselhamento barato. A Bíblia ainda será pregada mas sob uma nova perspectiva. Para os mais limitados intelectualmente, recomenda-se um estudo dirigido utilizando livros americanóides de “40 dias” e “6 passos”. Talvez seja necessário rasgar da Bíblia Mateus 18, o livro de Atos, Galátas e a primeira metade de Romanos.

Não acho que assim estaremos alterando a essência do evangelho. Talvez apenas reiterando o que é mais desejável e necessário para que nossa ignorante massa, digo comunidade ouça. Ainda falaremos de Jesus (no natal e na páscoa), Moisés e outros profetas de poder. Ah não podemos esquecer dos dizeres bonitos de Salmos e Provérbios no melhor estilo “Cid Moreira”. Sempre falaremos da graça salvadora é claro, mas de forma bem superficial e insossa.

Uma comunidade assim pode estar muito bem intencionada, mas está perdendo uma grande oportunidade de amadurecer a partir da pregação da Palavra, seu estudo e aplicação. Esse último fundamental: sem o compartilhar de vidas em Cristo segundo a sua Palavra, não há Igreja que preste!

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