Passo #4: Questionar é viver! Jogue tudo às favas: a Igreja, sua história e as doutrinas.

“Quando você desperta para o fato de que foi moldado por eventos e tendências históricas, torna-se maior a possibilidade de mudar, de voltar para trás, para algumas das questões principais como: O que a princípio foi Jesus? Qual foi a sua mensagem, a sua missão? Como podemos nos realinhar para a mensagem e missão originais de Jesus em nosso contexto atual?”  (Brian Mclaren, papa emergente respondendo sobre a igreja descolada – tradução livre)

Você é um cristão descolado! Repita e brade para si mesmo essa afirmação. Abrace essa nova filosofia de vida que chega como música para os ouvidos. Colírio que refrigera olhos que se cansaram da igreja e de sua liderança míope mas bem-intencionada.

Ser descolado é questionar. Quanto mais descolado, mais questionador. Um genuíno ateu-evangélico é descolado de regras e condutas. Chega de recatos no namoro eclesiástico-gospel e silêncio respeitoso antes e durante o culto dominical. O passo seguinte é questionar a declaração de fé e as doutrinas, mesmo que a antiquada e grudada liderança reafirme o fundamento bíblico doutrinário (Hebreus 13:17). Questione! Viva! Por acaso foi um anjo ou o messias que escreveu a tal da declaração doutrinária?

O último e definitivo passo do questionador descolado é colocar contra a parede a própria Igreja. Afinal, quem mandou nos reunirmos dominicalmente? De quem foi a idéia de separarmos um momento da semana para nos reunirmos com outros cristãos? Por que afinal eu não posso assistir a Formula 1 ou curtir o Domingão do Faustão em paz e tenho que ir a um lugar chato povoado de “crentinos”?

Cristãos descolados reagem a essas perguntas de duas formas: a primeira é deixar de congregar e trocar o domingo-templo-clero-culto por sábado-barzinho-amigos-alegres. É a substituição total do momento de contrição e reflexão bíblica pelo “um chopps e dois pastel”. Uma comunhão etílica (para os amigos do blog é cafezística) que vai muito além dos momentos de Ceia Memorial.

A segunda resposta surge de cristãos menos descolados. Gente que ainda não conseguiu se descolar o suficiente e assim atingir altos níveis de proficiência no ateísmo-evangélico. Com medo de contrariar Hebreus 10:25-26 (ser só ateu é chato), essa gente ainda quer pertencer a uma comunidade (“igreja”). Só não querem o ônus de ouvir a Palavra de Deus exposta, cantar hinos genuinamente espirituais e experimentar regeneração e arrependimento.

O que resta a esses pobres infelizes?

Desqualificar a Igreja dos apóstolos é fundamental para qualificar a igreja dos sonhos do ateu-evangélico-descolado

A solução é mudar a igreja para torná-la um lugar mais agradável. Sem essa de confrontação bíblica, ensino da Palavra e processo de santificação dos eleitos. Que tal transformar a igreja em um lugar “plural“, de santidade frouxa e sem confrontações bíblicas? Por que não abrandar os temas bíblicos e transformá-los em paródias da auto-ajuda corporativa? E se ainda colocássemos um pouco de MPB, Jazz e Samba Rock para agitar um pouco deixando os cânticos espirituais de lado? Imagine um lugar onde tanto faz cantar João Alexandre, João Bosco ou João Gilberto? (Filipenses 4:8 / Colosseneses 3:10-16?!)

Esse é o pedaço do corpo de Cristo traduzido pelos ateus evangélicos. Seria perfeito e razoavelmente aceitável senão tivéssesmos 20 séculos de história da Igreja. Infelizmente alguns poucos santos durante a História levaram a sério o edificar a igreja no fundamento dos apóstolos e depois de Paulo e Pedro outros tantos viveram, escreveram e sofreram a Igreja de uma forma neo-testamentária. Apagar esse rastro deixado pelos santos não será fácil.

Por isso desqualifiquemos a História da Igreja. Fazer todo joelho e mente confessar que essa gente não serve e não se encaixa em nossa sociedade plural, pós-moderna, pós-missional, pós-cristã, pós-te-ídolo. Ninguém é qualificado o suficiente: Anabatistas, Calvinistas, Ingleses Puritanos, Luteranos. Nem Paulo, Pedro e Tiago. Até os ditos “inspirados por Deus” escreveram para uma gente que não tinha Twitter e iPhone, logo, não servem para nós. O que Paulo na sua carta aos Coríntios tem a dizer de relevante para as mulheres da igreja? E de que serve Tiago 2 e 3 a uma comunidade de empresários e executivos?

Desqualificar a Igreja dos apóstolos é fundamental para qualificar a igreja dos sonhos do ateu-evangélico-descolado. Se o Novo Testamento não é procedimento de fé e conduta para a Igreja, ficamos assim todos livres para fazer do nosso jeito igualzinho aos tempos dos Juízes (21:25).

Não será fácil, porque sempre haverá um chato fundamentalista bradando Gálatas 1:8, Efésios 2:20, Colossenses 1:26-28, I Pedro 1:10-15

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