#7: tornar-se inócuo e irrelevante.

16 - fevereiro, 2009

Quero esclarecer algo muito importante:

Toda vez que faço uma crítica à igreja a escrevo com extremo pesar e tristeza. É no Corpo de Cristo que deveriam se manifestar os dons e talentos dos cristãos os quais são expressão do amor e da fraternidade motivados pela graça de nosso Senhor Jesus Cristo. A igreja é a melhor forma pela qual Jesus se faz presente na face da Terra. Quando erramos o alvo e perdemos o foco, fazemos tudo quanto é coisa menos aspergir graça àqueles que necessitam.

Voltando ao tema principal: ser inócuo e irrelevante é simplesmente esquecer da cruz, da obra de Jesus Cristo e de tudo que ele fez e tem feito em nós, por meio e apesar de nós. É inadmissível que a comunidade de salvos pela cruz se esqueça dela, e faça coisas em nome de Deus que sejam contrárias à obra da cruz. Triste e lamentável que não muitas vezes as decisões de igrejas bem intencionadas não são balizadas segundo o Espírito e a Palavra de Deus. Nessa hora imperam as conveniências e a vontade de tentar harmonizar diferentes interesses partidários na igreja. O Reino de Deus e a graça são esquecidos em detrimento das decisões feitas através de acordos e da política entre os setores que tem voz (e dízimo). Há um falso espírito de “não criar contendas” que se traduz principalmente em covardia ao se enfrentar o pecado segundo Mateus 18 e I Coríntios 5.

“As igrejas deixaram de causar impacto no mundo porque perderam a visão daquele que venceu o mundo. A começar pela liderança.”

É lamentável quando ao invés de uma igreja investir seus recursos e dons para ajudar um orfanato elas preferem colocar o dinheiro debaixo do colchão para fazer uma ampliação do templo para ter mais cadeiras vazias. Ignoram que há pessoas por aí aos montes necessitando ouvir uma palavra de alento, sedentas do Caminho. Ao invés de abrirem as portas para essa gente, escolhem programar eventos para que seus jovens se divirtam fazendo músicas de mau gosto ou reuniões de senhoras para disseminar fofoca Gospel. Fico triste quando uma liderança vê a congregação como força de trabalho manipulável para cumprir seus objetivos e metas. Deixou de ser igreja que valoriza mutualidade, diversidade e relacionamentos como manda Colossenses 3. O corpo agora é uma corporação que (não) presta serviço à comunidade. As outrora ovelhas receberam um nome tão bonito quanto maquiavélico: voluntários.

As igrejas deixaram de causar impacto no mundo porque perderam a visão daquele que venceu o mundo. A começar pela liderança. Há tempos não se vê líderes exemplares como Pedro que enfrentou em discurso fariseus sanguinários. Não têm a clareza de visão de Paulo que para falar de Cristo ao mundo inteiro decidiu ser julgado por Nero arriscando o seu pescoço. Não existem mais cristãos com coragem para fechar a lojinha de artesanato de Éfeso ao condenar a “bela diversidade cultural grega” recheada de paganismo e idolatria. Faltam ainda “Martin Luther Kings” para denunciar a injustiça social.

A igreja deixa de ser relevante quando a liderança torna-se medíocre. Não têm visão e sequer desconfiam da existência do Reino de Deus. Não examinam mais a Bíblia como deveria ser lida e há muito tempo esqueceram de seus ensinamentos recheados de exemplos no Novo Testamento. Preferem os livros de auto-ajuda ou as pregações de celebridades Gospel que arrastam multidões. Trocaram a Teologia por outras “-logias”.  Preferem o caudilhismo opressivo ou a libertinagem do tudo pode com o simples objetivo de reter clientes nas cadeiras. A missão do Reino deixou de ser prioridade porque agora temos que manter a grande corporação, ou a pequena lojinha, funcionando domingo a domingo.

Se você olha para a liderança da sua igreja e ao invés de ver pastores você enxerga executivos e gerentes de balcão, essa igreja poderá se tornar inócua e irrelevante. É um Corpo inerte e amortecido dos pés ao pescoço…

Porque felizmente o Cabeça ainda é o Cristo. Amem!

Anúncios

#6: caminhar com os olhos e pés distantes do Reino de Deus.

27 - dezembro, 2008

Não vêem* porque não querem. Ou porque desconhecem. O Reino de Deus é um conceito muito etéreo nas mentes da liderança cristã brasileira.

Vamos aos conceitos mais comuns por parte deles:

Argumento: O Reino de Deus virá na consumação dos tempos quando estivermos todos no “céu e na glória” (Ele reinará SÓ no céu).

Ação: como está bem longe na eternidade, não nos preocupemos com o aqui e agora. O importante é catequizar todos para que cheguem ao céu (abrir igrejas-filiais, comprar emissoras de TV, aparecer no Raul Gil).

Argumento: o Reino de  Deus proclamado por Jesus se manifesta apenas em nossos corações (o Reino não é desse mundo).

Ação: Jesus reina APENAS no meu interior. O importante é ser puro de coração e o resto é resto.

Argumento: o Reino de Deus apenas virá quando existir paz e segurança para todos os homens.

Ação 1: a instituição do Jesus Rei depende da nossa ação para que haja paz e justiça social em todo mundo (versão Teologia da Libertação).

Ação 2: a instituição do Jesus Rei depende da nossa ação para evangelizar todas as pessoas do mundo (versão Congresso de Missões).

Como bom corneteiro não vou tentar definir o conceito e principalmente a prática do Reino de Deus. A verdade é que não tenho competência ainda para realizá-lo. É preciso uma boa análise hermenêutica do Sermão do Monte, das Parábolas do Reino nos Evangelhos e no desenrolar da gênese da Igreja no livro dos Atos dos Apóstolos. Não obstante, um estudo denso e abrangente na Teologia do Antigo Testamento a cerca do Reino e do Retorno do Rei para desenrolar esse novelo teoloógico.

É uma pena que grande parte dos líderes das comunidades bem intencionadas são companheiros na minha Santa Ignorância. A preguiça hermenêutica de nossa liderança leva a igreja a uma miopia de sua real missão e vocação como Comunidade dos Salvos. Sem missão não há visão, sem visão não há ação prática. Adoração e serviço perdem seu sentido e conexão. Quando muito, fazem parte de uma tradição litúrgica sem vida.

A miopia de uma liderança impede que todo o resto da comunidade trilhe o caminho em direção ao Reino de Deus. Fatalmente o Corpo que perde sua real vocação transforma-se num organismo “obeso  em si mesmado”. De forma sincera e zelosa afogam-se no fardo da religiosidade observando novamente datas, festas e tradições sepultadas.

É o cachorro correndo atrás do rabo.

 

* Ainda posso escrever com o acento até 2013


#5: olhar a multidão como massa manipulável

21 - novembro, 2008

Nunca entendi direito o Proto-evangelho da auto-ajuda chamado “Como fazer amigos e influenciar pessoas”. As pessoas mais próximas de mim sabem que eu odeio esse gênero literário tipo de coisa impressa. Os poucos que li foram em “diagonal” é verdade. Deve ser porque não estou a altura dos grandes gurus, ou quem sabe sou incapaz de fazer muitos amigos e mais ainda influenciar ou convencer alguém.

Semana passada mesmo não conseguia convencer o meu sobrinho de 3 anos a trocar de camiseta.

Por isso decidi seguir outro caminho. Sei que estou fadado ao fracasso seja no ambiente corporativo ou no meio gospel-abençoado. Dentre os fracassos, ainda prefiro a autenticidade dentro do meu quadrado ao invés de tentar influenciar o mundo com verdades e pragmatismos.

Talvez influenciar o mundo seja muita pretensão. Quem sabe começar pelo meu círculo social o que no caso de muitos é a igreja local. Aí fica mais fácil. Sei dos seus costumes, dogmas e desejos. O que eles querem consumir e o que os agrada. Melhor: o que mais atormenta e amedronta segundo a nossa mesma fé e intenção.

Eis que surge a idéia: por que não criar várias regras e políticas para que alcancemos melhor nossos objetivos de fé? Precisamos contudo que todos o façam pelo “bem comum”, mesmo que eles não queiram ou não saibam porque o querem.

O Evangelho precisa alcançar o mundo e para tanto precisamos fazer um sacrifício uníssono pela fé. Só o altruísmo e a boa vontade individuais não serão suficientes. Esses pobres fiéis e ignorantes não sabem direito o que fazer porque são “imaturos na fé”. Cabe a nós, (déspostas) esclarecidos conduzir esse povo a um salto de qualidade de vida em fé, adoração e serviço.

Talvez precisemos redefinir algumas questões bíblicas difíceis como a honestidade, a sinceridade e o pecado. Inclusive quando o assunto é quebra de relacionamentos e divergências. Coisas delicadas como essas não cabem em uma comunidade unida pelo “bem-maior”. Precisamos passar por isso como um rolo compressor. Enfiar a cabeça num buraco na terra como um avestruz também é uma boa pedida.

No púlpito precisamos ter respostas prontas, pregações aguadas e muito aconselhamento barato. A Bíblia ainda será pregada mas sob uma nova perspectiva. Para os mais limitados intelectualmente, recomenda-se um estudo dirigido utilizando livros americanóides de “40 dias” e “6 passos”. Talvez seja necessário rasgar da Bíblia Mateus 18, o livro de Atos, Galátas e a primeira metade de Romanos.

Não acho que assim estaremos alterando a essência do evangelho. Talvez apenas reiterando o que é mais desejável e necessário para que nossa ignorante massa, digo comunidade ouça. Ainda falaremos de Jesus (no natal e na páscoa), Moisés e outros profetas de poder. Ah não podemos esquecer dos dizeres bonitos de Salmos e Provérbios no melhor estilo “Cid Moreira”. Sempre falaremos da graça salvadora é claro, mas de forma bem superficial e insossa.

Uma comunidade assim pode estar muito bem intencionada, mas está perdendo uma grande oportunidade de amadurecer a partir da pregação da Palavra, seu estudo e aplicação. Esse último fundamental: sem o compartilhar de vidas em Cristo segundo a sua Palavra, não há Igreja que preste!


#4 Perder a coragem, determinação e pioneirismo

14 - setembro, 2008

Coragem para quê? De quem e para onde? Com que motivação? Qual a razão de correr quando podemos permanecer na zona de conforto (conhecida como salvos na sombra e água fresca).

A Igreja Corpo de Cristo encontra a resposta no Evangelho. Ela deve correr na trilha de sua missão:

Anunciar o Evangelho, fazer discípulos de Jesus Cristo levando todo homem a ser semelhante ao Filho de Deus como descrito em todo o Evangelho.

O número de comunidades ditas evangélicas nunca foi tão grande no Brasil mas poucas correm por esses trilhos. Parecem trens sem destino que estão prestes a descarrilhar em qualquer vento de doutrina que apareça. Seja um espírito de novidade, uma língua estranha ou ainda um missionário famoso do Canadá ou do Sudeste Asiático que veio trazer reavivamento.

As igrejas verdadeiras tiveram isso em algum momento. Do contrário, jamais teriam se tornado comunidades do reino, evangélicas, Corpo de Cristo. O nascer de uma igreja local é sempre bonito, recheado de histórias de pioneirismo, determinação e coragem. Em algum momento algo se perde.

Apresento algumas das possíveis razões:

Falta de visão – salvo, batizado e membro de uma igreja batista. Mas e agora? O que fazer com esse treco chamado salvação? Como cumprir o “Ide” e o “Edificar ao próximo”? Há uma forma de colocarmos em ação a Missão que nos foi ensinada no Evangelho com os recursos que Deus nos deu? A resposta da maioria das comunidades: “Não sei, dê o dízimo e não falte ao culto de louvor & adoração”.

Comunidade dos 99 justos – é aquela que só olha para o seu umbigo santo. Parece mais um clube do chá gospel, uma reunião social. Não se lembram da missão e sequer desconfiam que necessitam de uma visão. Recuperar o perdido não é prioritário, estão muito ocupados organizando o retiro de carnaval dos 99 justos.

Na prática a teoria é outra – são muito boas no ensino doutrinário e na teologia sistemática. Infelizmente o conhecimento da letra não desceu para o coração, a ação e o bolso. São lentas em amar e modorrentas em doar. Bom, tem o culto missionário na 2a. semana do mês…

Perder a essência em nome da contextualização – resume-se a querer ser relevante numa geração pós-moderna perdendo o conteúdo e a essência. Decoramos a resposta mas não sabemos mais qual era a pergunta.

Josué viveu algo muito semelhante perto do fim da vida. Depois de uma vida de vitórias corajosas, ele clama ao povo de Israel para continuar a missão:

Façam todo o esforço para obedecer e cumprir tudo o que está escrito no Livro da Lei de Moisés,sem se desviar nem para a direita nem para a esquerda (Josué 23:6).

Aplicando a “hermenêutica bíblica compactada”: esforcem-se e sejam corajosos em obedecer a Palavra de Deus.

O Corpo de Cristo deve permanecer na missão. Orientada pelo Espírito Santo e comandada pelo cabeça que é Cristo, deve usar de todos os meios possíveis para ser pioneira em sua visão, determinada no seu cumprimento e ter muita coragem para manter-se fiel aos princípios missionários do Evangelho dos Apóstolos. Quando nos desviamos dessa trilha, deixamos de aspergir graça e transmitir bênçãos aos que mais necessitam.


#3 olhar pra cima e nunca ao lado

19 - julho, 2008

Lembro de uma canção que diz: “Em memória de mim buscai a Deus no coração, não no céu, no coração”.

Houve uma época em que os pensadores e filósofos cristãos eram acusados de serem teóricos, retóricos. A fé tinha se tornado racional e disconexa de ações práticas. Havia muito que os pensadores tinham detonado as pontes com o anseio de um povo carente de Jesus. A paixão que movia cristãos a agirem com amor ao próximo rompendo as barreiras de sua época foi substituída pela pureza filosófica e doutrinária. A fé virou acadêmica e contemplativa. Essa igreja sem respostas reais foi perdendo relevância.

A igreja evangélica vive um “admirável” novo tempo. Os evangélicos de hoje tem muita paixão e proclamam juras de amor ao Deus que está no céu.

Este tempo (quase) terminou. A igreja evangélica vive um “admirável” novo tempo. Os evangélicos de hoje tem muita paixão e proclamam juras de amor ao Deus que está acima dos céus. Vemos isso nas músicas, nas pregações e nos novos movimentos que confessam ser uma geração “apaixonada por Jesus“. Um verdadeiro show de extravagâncias!

Ambas as igrejas estão sempre com os olhos pra cima (ou pensam que estão). A antiga, na sede por definir racionalmente a divindade através de doutrinas e teologias. A nova, quer experimentar o Jesus que subiu ao céu. De formas opostas, anseiam estar o mais rápido possível lá, esquecendo-se de quem está ao lado aqui na terra.

As comunidades do individualismo denunciam o mal do nosso tempo, onde o que mais importa para o homem é a sua própria experiência de Deus.

A geração de hoje é insípida, líquida e ignorante para ter uma prática filosófica e acadêmica. Ela tem pressa e substituiu as comunidades tradicionais e doutrinárias por igrejas da terceira onda. Uma legião de ignorantes armados de paixão e um notebook com acesso ao Orkut espalham o movimento da paixão sem razão e ação. Parafraseando Jesus aos fariseus: “cantam muitas músicas Gospel, mas estão longe no coração”. Eles tem a paixão e a intenção zelosa, mas o coração no céu afastado de Jesus e insensível ao irmão que está logo ao lado.

As comunidades do individualismo denunciam o mal do nosso tempo, onde o que mais importa para o homem é a sua própria experiência de Deus. Suas emoções, vontades e carências devem ser preenchidas mesmo que só no momento de culto. Não há mais o Corpo no qual pessoas suportam e aconselham uns aos outros em amor. Há sim vários corpos e umbigos querendo alcançar a experiência máxima do céu.


#2 Estar satisfeita com aquilo que tem

13 - junho, 2008

A maioria das igrejas sempre tem histórias muito bonitas regadas por determinação, fé e visão de alguns corajosos cristãos. Comunidades locais são plantadas por heróis da fé e regadas pela ação do Espírito Santo para que possam render seus primeiros frutos para o Reino de Deus.

O Corpo de Cristo é composto sempre por gente. E gente é o que realmente importa. Eles edificam junto com Jesus Cristo a história suada da igreja. Os exemplos podem variar desde gente que empenhou seus próprios bens para que não faltasse luz no salão até casos de pessoas que dirigiram centenas de quilômetros por dia para levar o evangelho para gente que precisava ouvi-lo. Um misto de amor, abnegação, paixão, sangue, suor e muitas lágrimas. A Igreja de Jesus Cristo é como diz o Pr. Ed René: “pessoas precisam de pessoas, pessoas precisam de Deus”.

Em algum momento contudo, o que era paixão vira razão, as feridas de sangue começam a se cicatrizar e perdoem-me a poesia barata, mas nos “cansamos do cansaço”. Parece que não temos mais prazer em ser abnegados e sofrer pelo Corpo. Na verdade, o Corpo começa a virar um grande peso morto nas nossas costas. A ousadia de outrora é substituída por medidas de esforço gerencial. Vamos manter a lojinha aberta até o céu ou a volta de Jesus.

É melhor assim. Temos uma comunidade muito bonita com pessoas de todas idades, crianças e velhos em nosso salão adorando a Deus de olhos fechados. Que bonito! Já imaginaram colocar tudo isso a perder colocando o pé no mundo de novo? Os riscos não devem ser ignorados: confusão, divisão, recursos humanos e financeiros escassos…

Lembre-se que se você hoje faz parte do Corpo de Cristo em uma comunidade local é porque algumas pessoas intrépidas e ousadas não estavam satisfeitas com aquilo que já fizeram, mas correram atrás e com temor e tremor ouviram o Espírito de Deus. Ignoraram medos e foram proclamar que o Reino de Deus chegou!

O bom pastor é aquele que vai atrás de uma única ovelha perdida arriscando as outras 99. Talvez seja a hora de nós comunidades cristãs voltarmos a nos sujar na trilha do Reino de Deus.


#1: Deixar de jogar todos os holofotes para a graça de Jesus Cristo

8 - junho, 2008

Se Jesus é o motivo pelo qual nos reunimos como igreja, a graça é razão pela qual estamos ao Seu lado. Imagine que senão fosse o favor imerecido ou o misterioso amor que moveu Deus ao ato da cruz nada seria possível. Nossa salvação é produto da graça, algo que jamais poderíamos ter conquistado pelos nossos próprios esforços.

Como diz Philip Yancey: “Não há nada que você possa fazer para que Deus nos ame mais ou menos. Ele simplesmente nos ama”.

Essa verdade me libertou de um pesado fardo imposto pela religião que assombrou alguns anos da minha vida. Não digo que meus tutores e amigos foram cruéis ou mal-intencionados comigo. Eles tiveram o melhor dos propósitos que era tentar me trazer para mais perto de Cristo, caminhar os passos de Jesus. Algumas vezes, tentaram fazê-lo através de sufocantes botas ortopédicas.

A graça liberta, revive, reanima. É por causa dela que nos movemos, vivemos e existimos. Deveria ser assim com a Igreja de Jesus Cristo. Todas as perguntas que permeiam a realidade da nossa vida em comunidade deviam ser respondidas pela graça de Deus. Senão for assim, nossa fé é vazia pois se transformou em lei.

Exemplos:

P: Por que nos reunimos num domingo frio de manhã?
R: Por causa da graça de Jesus.

P: Devo ficar esse domingo de manhã com minha família ao invés de “ir no culto”?
R: Se você for dedicar esse tempo para ser gracioso com a família assim como Deus foi com você, é claro que sim!

P: Devemos fazer uma reunião de oração na véspera do feriado a noite?
R: Será que nessa reunião a graça e o favor de Deus serão manifestos a TODOS os presentes (mesmo os que estão a contragosto)?

P: Devemos construir uma nova sala de aula em nossa igreja ou doar o dinheiro para missões?
R: Qual vai dispensar mais graça aos que necessitam dela?

P: Devo dar sempre 10% do meu salário para a igreja como dízimo?
R: A graça te torna livre para dar o quanto tiver em sua consciência (inclusive mais que 10%).

A graça é a resposta que nos liberta para vivermos com responsabilidade. Na comunidade da graça ninguém é OBRIGADO a nada, o que nos exorta a uma RESPONSABILIDADE ainda maior.