IBAB Global emergente?

8 - agosto, 2010

Ainda não na telinha mas já aparece na Veja Global também chamada de Época.

No portal emergente criativo:

http://www.cristianismocriativo.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=557&Itemid=70

Dando o crédito no site da revista:

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI161499-15228,00-A+NOVA+REFORMA+PROTESTANTE+TRECHO.html

Fazendo barulho assim quem sabe ele não apresenta o Sagrado junto com o Gondim e a Ana Maria Braga?

Cozinharão uma grande muqueca neo-gospel-pós-missional-cristã-emergente-líquida.

Nota: estou passando por um momento de pausa na escrita. Ficarei mais algumas semanas sem artigos novos. Mas essa eu não podia deixar passar.

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Um agnóstico sensato

9 - junho, 2010

Até onde sei o João Pereira Coutinho é agnóstico. Apesar de incrédulo ele consegue ser mais sensato que muito pastor descolado.

O canibalismo é relativo

Li com interesse a “gaffe” do premiê da Nova Zelândia. Relembro os pormenores: o governo do país mantém negociações com as tribos indígenas para devolver territórios que esses povos consideram sagrados.Foi nesse contexto que o premiê John Key resolveu fazer uma piada, confessando-se aliviado por não ter que jantar com os povos Maori. “Se eu fosse jantar com eles”, afirmou Key, “o mais provável era ser eu a refeição.”

Ri com o comentário: hoje em dia, é muito difícil encontrar boas piadas sobre canibais. Mas depois reparei que o mundo não ria: os Maori, disseram especialistas diversos, deixaram de comer gente há duzentos anos. E a opinião de Key foi, no mínimo, “insensata”.

Fiquei em silêncio, acabrunhado com a minha insensatez perante a insensatez do premiê. E então percebi como são estreitos os limites do relativismo.

Todas as culturas devem ser avaliadas apenas pelos seus valores internos? Eis o credo do relativismo cultural, que rapidamente desagua numa forma extrema de relativismo moral: se todas as culturas apresentam valores distintos, não existe um padrão externo e universal a essas culturas capaz de as avaliar, condenar ou hierarquizar.

O próprio Montaigne, aliás, em ensaio clássico sobre o canibalismo, alertava: quem disse que os indígenas do Brasil são “selvagens” e “incivilizados”? Essas opiniões são apenas preconceitos que reduzem a diversidade do mundo a um único padrão explicativo. E nem mesmo o canibalismo horrorizava Montaigne, desde que o material das refeições (normalmente, meus antepassados portugueses) já estivesse morto no momento do espeto.

Respeito Montaigne. Mas gostaria que os discípulos do francês respeitassem até o fim o credo que eles próprios professam, o que raramente acontece. Quando um relativista discute o Ocidente e a sua história, ele não hesita em fazer juízos de valor que estão interditos, por exemplo, em relação aos zulus; ou aos aborígenes australianos; ou aos índios brasileiros. Os zulus, os aborígenes e os índios devem ser compreendidos na sua singularidade, mas nunca condenados. O Ocidente não deve ser compreendido; apenas condenado.

Existe aqui um erro conceptual da maior importância. Porque se nenhuma cultura pode ser avaliada externa e objetivamente por um padrão universal, então não existe qualquer legitimidade para avaliar ou condenar aquela região do globo que se convencionou chamar de “Ocidente”. Condenar o imperialismo do Ocidente, por exemplo, e mesmo as suas práticas mais desumanas (como a escravatura) será tão abusivo como condenar o canibalismo dos índios. Ou dos Maori.

Se as patrulhas exigem silêncio ao premiê da Nova Zelândia sobre a história canibal de terceiros, seria bom que pensassem duas vezes antes de fazerem ruído sobre a história e as práticas das “tribos” do Ocidente. Quando tudo é relativo, tudo é perdoado.

Inclusive o pastor da mesa branca no post abaixo.


Ortodoxia generosa ou desastrosa?

18 - abril, 2010

“Jesus não tinha uma declaração de fé”
– do site
emergent us

A nova moda entre as igrejas que mais bombam nesse Brasil é jogar a declaração de fé no lixo. Uma igreja leve e pós-moderna que não ousa se colocar entre as ovelhas e Cristo. Quanto menos governo, regras e normas melhor. Vamos limpar o terreiro e dançar ao som da ortodoxia generosa.

Primeiro removeram a reverência. Depois a pontualidade e a fidelidade nas ordenanças. Ceia? Pra quê? Batismo? Blargh! Ir no culto ao domingo? Que importa? Deus está em todo lugar não é mesmo? Por que não se importaria de ficar ao meu lado enquanto assisto o Esporte Espetacular estirado no sofazão?

Assembléias, dízimos, serviço na igreja, escola domincal. Tudo para debaixo do tapete. Ouvi de um pastor da Teologia Batista da Libertação ao questioná-lo sobre a assiduidade dominical: “Vá viver a vida”. Deveriam colher um depoimento dele e colocar em uma das novelas do Manoel Carlos.

Nossas igrejas resumiram-se a um show musical finalizado por uma grande palestra motivacional realizada por um pregador celebridade Gospel. Agora removeram o último bastião que separa os cristãos protestantes do resto da maçaroca religiosa que se diz cristã. Sim, a declaração de fé!

Pois os emergentes americanos não perderam tempo e a retiraram de campo. Nós tupiniquins ignorantes que pousamos de latino-americanos revolucionários papagaiamos as idéias deles e as pioramos quando temos algum espaço e criatividade. Várias comunidades (famosas ou não) removeram a “declaração de fé” por a acharem inadequada, opressora e invasiva.

Talvez eles tenham que se entender com o Novo Testamento. A igreja primitiva não se cansava de se reunir para estabelecer regras e procedimentos para viver melhor e cumprir a sua missão (leia o livro de Atos). Paulo lista requisitos indispensáveis para os líderes nas cartas pastorais (Timóteo, Tito) e também o que fazer com cristãos não-ortodoxos (I Coríntios 5). Critérios de exclusão da comunidade dos salvos foram deixados claros e cristalinos por Jesus em Mateus 18.

Justo esse que os emergentes dizem que não tinha declaração de fé!

Talvez eles não queiram mesmo se entender com a Bíblia. Os argumentos da Palavra e a voz do Espírito já estão muito empoeirados debaixo de tanta Filosofia, Psicologia e Sociologia. Talvez haja esperança, talvez seja perda de tempo. Eles há muito tempo deixaram de seguir as Escrituras como única e suficiente fonte para o ensino e a disciplina. Estão todos na mesma lama: neo-pentecostais universais, pentecostais do horário nobre comprado, betesdenses-globais e batistas-psico-sociólogos.

Espécies que habitam uma arca de Noé inversa na qual quem embarca uma hora naufragará.


Sobre Avatar, a cultura ocidental e o Outro

2 - abril, 2010

Do blog do JP Coutinho:

Avatar é isso: uma mistura de Pocahontas, Dança com Lobos e O Último Samurai, servido em formato 3D. E, sendo isso, não se distingue do primarismo que habita esse tipo de filme: o primarismo de olhar para culturas distintas como intrinsecamente superiores à cultura branca, ocidental e, de preferência, judaico-cristã.
Avatar é um filme sobre a culpa; o sentimento de culpa que assola as consciências progressistas; sobre “o fardo do homem branco” que ele, coitado, carrega há gerações para expiação dos seus pecados “imperialistas”. E dos pecados dos seus pais, de seus avós, e bisavós, e trisavós…
O que está ausente dessa visão é a ideia simplória de que a cultura branca, ocidental e judaico-cristã, apesar dos seus erros históricos (que os houve), também foi capaz de produzir uma civilização que garante ainda um espaço de liberdade, humanidade e decência que, muitas vezes, está ausente dessas culturas “intocadas”. Culturas onde a arbitrariedade do poder tribal; a violência física sobre os mais fracos; o animismo pré-científico; e até a mera bruxaria terapêutica não deveriam inspirar respeito. Só repulsa.
Um jornalista agnóstico às vezes consegue ser mais lúcido (ou menos louco) que muito pastor evangélico agnóstico.

Síndrome das Pernas Inquietas

29 - janeiro, 2010

Olha o que achei no link abaixo:

http://www.sindromedaspernasinquietas.com.br/

Eu devo ter isso. Digito, leio e durmo mexendo as pernas. A minha auxiliadora idônea reclama às vezes disso.

Sempre achei que era tic-nervoso, mania, sofreguidão, fogo no rabo, sei lá! Agora descobri que tem um nome: “Síndrome das Pernas Inquietas”.

Então problema resolvido! Como todos os males na vida basta definir com um nome ao invés de resolvê-los: mal-humorado é bipolar, ansioso tem síndrome do pânico, bebum é dependente químico.

E como ladrão virou cleptomaníaco conseguimos assim diagnosticar a capital do país e seus políticos e funcionários.


Teodicéia: BLARGH

18 - janeiro, 2010

Pronto! Um desastre horrível e as pessoas ficam questionando a Deus, seu poder e soberania. Se você quer atribular seu coração ao invés de se compadecer com a dor dos haitianos, leia a coluna mala sem alça da Folha.

Ao menos o autor do texto é um  jornalista ateu e não um proeminente pastor de uma igreja batista ou da assembléia de Deus infelizmente ainda ouvido por muitos:

14/01/2010
Deus e a terra

Grandes catástrofes naturais como a que se abateu sobre o Haiti constituem uma espécie de experimento teológico natural. Não é necessário PhD em filosofia para colocar-se a pergunta que não quer calar: se existe um Deus onisciente, onipotente e benevolente, como ele pôde produzir –ou pelo menos permitir– tanto sofrimento?
O problema da teodiceia, que assombra os filósofos há séculos, já foi aplicado a movimentos de placas tectônicas. Em fins do século 18, época em que o hoje miserável Haiti ainda era a “pérola das Antilhas”, a mais rica colônia do Novo Mundo, Voltaire e Rousseau se engalfinhavam na célebre polêmica do terremoto de Lisboa, que já explorei em outras colunas, mas retomo aqui para que a tragédia haitiana pelo menos nos forneça material de reflexão.
Em 1755, mais precisamente às 9h40 do dia 1º de novembro, um grande sismo atingiu a cidade de Lisboa, então a quarta maior da Europa. Era Dia de Todos os Santos e, por isso, a maioria dos moradores estava na missa. Muitos morreram sob os escombros de igrejas que ruíram. As áreas baixas da cidade foram rapidamente engolidas por ondas gigantescas. Como se não bastasse, seguiu-se um terrível incêndio, que destruiu boa parte do que havia sido poupado pelo tremor. O fogo durou seis dias. O total de mortos ficou entre 30 mil e 70 mil.
Além dos alicerces de Lisboa esse megassismo fez tremer o fervilhante mundo intelectual do século 18. Vinte e três dias após a tragédia, Voltaire, o pseudônimo de François-Marie Arouet (1694-1778), publicou seu “Poema sobre o Desastre de Lisboa”, cujo subtítulo é: “ou o exame do axioma: ‘tudo está bem'”. De seus versos emerge uma boa dose de indignação: “É preciso dizer: o mal está na terra:/ Seu princípio secreto é desconhecido/ Do autor de todo bem terá ele partido?”.
Com efeito, a contradição entre a ideia de um bem absoluto e o mal visível é conhecida desde a Antiguidade. Atribui-se a Epicuro o seguinte dilema: Se Deus é bom e onipotente, não poderia haver mal sobre a Terra; havendo, ou Deus não quer acabar com o mal –e não é benevolente– ou não pode fazê-lo –e não é onipotente. (Poderíamos, é verdade, reduzir o dilema a um problema de linguagem e, portanto, a um falso paradoxo: a questão é insolúvel porque foi mal formulada; não posso exigir nem de um Ser Supremo que aja contraditoriamente. Mas, com essa interpretação, perderíamos toda a graça do debate metafísico).
A dificuldade levou teólogos e filósofos cristãos a reduzir o mal a uma aparência. Quando achamos que algo representa o mal, na verdade, estamos fazendo uma leitura equivocada do fenômeno. Nós, humanos, não podemos, como Deus, enxergar as coisas em suas reais dimensões. Não podemos dizer que alguém sofre injustamente se não conhecemos, como Deus, todos os seus pecados. Tampouco sabemos quais são os planos divinos para o futuro. O que hoje parece o mal poderá ser compensado no futuro. Depois, não devemos nos limitar ao plano individual. Deus pensa grande –ocupa-se de toda a Criação–, e certos sacrifícios são necessários.
O texto de Voltaire é, na verdade, uma crítica a sistemas que postulam um certo otimismo filosófico. Os alvos são o alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) e, em menor escala, o inglês Alexander Pope (1688-1744), que versificou e popularizou ideias do alemão. Num resumo extremamente grosseiro, o filósofo tedesco leva o racionalismo teológico às últimas consequências e postula que o mundo em que vivemos é o melhor dos mundos possíveis. O Deus sábio e necessário –e, portanto, existente–, dentre todos os mundos possíveis, criou o melhor de todos. Tudo está bem.
Quem leu o “Poema” e não gostou foi Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). A resposta veio em 18 de agosto de 1756 sob a forma de carta, a “Lettre sur la Providence”. Aí o bom Jean-Jacques, para isentar o bom Deus e a gentil mãe-natureza de toda a culpa, prefere atribuí-la aos homens. Como bem observa o cidadão genebrino, não foi a natureza que, numa área relativamente exígua “reuniu 20 mil casas de seis ou sete andares”. Ele vai ainda mais além e pergunta-se “quantos infelizes pereceram neste desastre, porque quiseram pegar, um suas roupas, outro, sua papelada, outro, seu dinheiro?”.
Embora hoje pareça óbvio que as consequências de um terremoto –ou mesmo de um furacão, uma enchente e vários outros desastres “naturais”– são inseparáveis do tipo de sociedade na qual ocorre a tragédia, essa era uma ideia original no século 18. Vários autores veem aí o surgimento da abordagem sociológica desse tipo de fenômeno.
De um modo geral, concordo com Voltaire e Rousseau. Sei que, com essa confissão, corro o risco de ser acusado de tucano, mas não creio que as duas leituras sejam mutuamente excludentes. É perfeitamente possível concluir que erros na ocupação do solo respondem por boa parte dos estragos provocados por terremotos e, ao mesmo tempo, que a ideia de uma Providência benfazeja e onipotente apresenta problemas.
O interessante aqui é que, quaisquer que sejam nossas inclinações, não ficamos indiferentes a tragédias como a do Haiti e rapidamente nos colocamos a procurar respostas. De algum modo, precisamos encontrar explicações –e de preferência culpados– que julguemos satisfatórias para tamanho desperdício de vidas. Daí que buscamos identificar padrões, sejam eles herméticos, como no caso dos insondáveis planos de Deus, ou plenamente racionais, como na hipótese de mau uso do terreno. Se há uma ideia que se nos afigura insuportável é a de que tanta destruição possa ser apenas fruto de um movimento aleatório e imprevisível. É justamente para combater a ideia de que o acaso (e com ele a ausência de propósito) está no comando que, suspeito, criamos a noção de Deus.

Utopia ou não pia?

3 - janeiro, 2010

Se um dia você for numa dessas igrejas metidas à besta e ouvir uma apologia à “utopia cristã” tenha em mente que essa idéia não é nova nem revolucionária. É um refugo com cheiro, gosto e jeito de catolicismo romano latino americano conhecido como “Teologia da Libertação”.  Depois da queda do muro de Berlim e da URSS essa filosofia foi deixada de lado mas ela ainda vive em guetos católicos e neo-protestantes-ortodoxos.

Você pode ter ouvido algo parecido com o texto abaixo de uma das cartilhas dos estudiosos dessa corrente:

Um mundo sem esperanças afunda em crises de sentido cada vez mais profundas, nenhuma promessa de satisfação consumista poderá encher o vazio nos corações de seus integrantes. Nessa situação surge mais do que nunca a necessidade de anunciar e de proclamar, a um mundo carente de esperanças, a grande mensagem do Reino de Deus.

Vista assim, a parusia já começou; ela está em andamento, é processo de cristificação do relacionamentohumano, que ao mesmo tempo é processo de humanização (…). Ela ganha cada vez mais em probabilidade, quando mais conseguimos superar uma cosmovisão mágico-apocalíptica.

BLANK, R. Nosso mundo tem futuro.

À medida que os homens, em consciênciae liberdade, vão respondendo, através de suas ações, de seu compromisso na história, a esses interpelativos de Deus, já se inicia a eternização do Reino. Não é simplesmente no momento da morte que amadurece definitiva e universalmente o que o homem vem construindo na história. Já dentro da história tal amadurecimento se dá, desde toda vez que o homem se coloque em liberdade diante da interpelação do infinito de Deus, naturalmente através de inúmeras mediações.

LIBANIO, J. B. & BINGEMER, M. C. L. Escatologia cristã. Petrópolis: Vozes, 1985. P. 131

Palavras bonitas jogadas ao vento. Cristianismo mutilado em socialismo. Jesus (tra)vestido de Che Guevara, Dilma e Dirceu. Igrejas, líderes e teólogos que pensam que “O Capital de Marx” é o quinto evangelho não canônico.