Passo #4: Questionar é viver! Jogue tudo às favas: a Igreja, sua história e as doutrinas.

17 - setembro, 2010

“Quando você desperta para o fato de que foi moldado por eventos e tendências históricas, torna-se maior a possibilidade de mudar, de voltar para trás, para algumas das questões principais como: O que a princípio foi Jesus? Qual foi a sua mensagem, a sua missão? Como podemos nos realinhar para a mensagem e missão originais de Jesus em nosso contexto atual?”  (Brian Mclaren, papa emergente respondendo sobre a igreja descolada – tradução livre)

Você é um cristão descolado! Repita e brade para si mesmo essa afirmação. Abrace essa nova filosofia de vida que chega como música para os ouvidos. Colírio que refrigera olhos que se cansaram da igreja e de sua liderança míope mas bem-intencionada.

Ser descolado é questionar. Quanto mais descolado, mais questionador. Um genuíno ateu-evangélico é descolado de regras e condutas. Chega de recatos no namoro eclesiástico-gospel e silêncio respeitoso antes e durante o culto dominical. O passo seguinte é questionar a declaração de fé e as doutrinas, mesmo que a antiquada e grudada liderança reafirme o fundamento bíblico doutrinário (Hebreus 13:17). Questione! Viva! Por acaso foi um anjo ou o messias que escreveu a tal da declaração doutrinária?

O último e definitivo passo do questionador descolado é colocar contra a parede a própria Igreja. Afinal, quem mandou nos reunirmos dominicalmente? De quem foi a idéia de separarmos um momento da semana para nos reunirmos com outros cristãos? Por que afinal eu não posso assistir a Formula 1 ou curtir o Domingão do Faustão em paz e tenho que ir a um lugar chato povoado de “crentinos”?

Cristãos descolados reagem a essas perguntas de duas formas: a primeira é deixar de congregar e trocar o domingo-templo-clero-culto por sábado-barzinho-amigos-alegres. É a substituição total do momento de contrição e reflexão bíblica pelo “um chopps e dois pastel”. Uma comunhão etílica (para os amigos do blog é cafezística) que vai muito além dos momentos de Ceia Memorial.

A segunda resposta surge de cristãos menos descolados. Gente que ainda não conseguiu se descolar o suficiente e assim atingir altos níveis de proficiência no ateísmo-evangélico. Com medo de contrariar Hebreus 10:25-26 (ser só ateu é chato), essa gente ainda quer pertencer a uma comunidade (“igreja”). Só não querem o ônus de ouvir a Palavra de Deus exposta, cantar hinos genuinamente espirituais e experimentar regeneração e arrependimento.

O que resta a esses pobres infelizes?

Desqualificar a Igreja dos apóstolos é fundamental para qualificar a igreja dos sonhos do ateu-evangélico-descolado

A solução é mudar a igreja para torná-la um lugar mais agradável. Sem essa de confrontação bíblica, ensino da Palavra e processo de santificação dos eleitos. Que tal transformar a igreja em um lugar “plural“, de santidade frouxa e sem confrontações bíblicas? Por que não abrandar os temas bíblicos e transformá-los em paródias da auto-ajuda corporativa? E se ainda colocássemos um pouco de MPB, Jazz e Samba Rock para agitar um pouco deixando os cânticos espirituais de lado? Imagine um lugar onde tanto faz cantar João Alexandre, João Bosco ou João Gilberto? (Filipenses 4:8 / Colosseneses 3:10-16?!)

Esse é o pedaço do corpo de Cristo traduzido pelos ateus evangélicos. Seria perfeito e razoavelmente aceitável senão tivéssesmos 20 séculos de história da Igreja. Infelizmente alguns poucos santos durante a História levaram a sério o edificar a igreja no fundamento dos apóstolos e depois de Paulo e Pedro outros tantos viveram, escreveram e sofreram a Igreja de uma forma neo-testamentária. Apagar esse rastro deixado pelos santos não será fácil.

Por isso desqualifiquemos a História da Igreja. Fazer todo joelho e mente confessar que essa gente não serve e não se encaixa em nossa sociedade plural, pós-moderna, pós-missional, pós-cristã, pós-te-ídolo. Ninguém é qualificado o suficiente: Anabatistas, Calvinistas, Ingleses Puritanos, Luteranos. Nem Paulo, Pedro e Tiago. Até os ditos “inspirados por Deus” escreveram para uma gente que não tinha Twitter e iPhone, logo, não servem para nós. O que Paulo na sua carta aos Coríntios tem a dizer de relevante para as mulheres da igreja? E de que serve Tiago 2 e 3 a uma comunidade de empresários e executivos?

Desqualificar a Igreja dos apóstolos é fundamental para qualificar a igreja dos sonhos do ateu-evangélico-descolado. Se o Novo Testamento não é procedimento de fé e conduta para a Igreja, ficamos assim todos livres para fazer do nosso jeito igualzinho aos tempos dos Juízes (21:25).

Não será fácil, porque sempre haverá um chato fundamentalista bradando Gálatas 1:8, Efésios 2:20, Colossenses 1:26-28, I Pedro 1:10-15


Provocando a Ira

7 - setembro, 2010

Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus. (Tiago 1:19b-20)

A ira é um mal que assola o homem desde o princípio dos tempos. Caim foi o primeiro assolado sendo o tal do Abel a primeira vítima. Irado é o que somos. É como diz Isaías 59: não tem um justo sequer por aí. Todos somos rápidos no gatilho da ira e ligeiros em disparar impropérios, socos e pontapés contra aqueles que nos contrariam.

Ao contrário do que muitos pensam, a ira não é um sentimento ou uma emoção que nos toma e cega. Ira é uma ação que tomamos face a uma situação que nos contraria, ou que abala o nosso senso de justiça. Vivemos várias situações cotidianas que podem nos suscitar a ira. De uma fechada no trânsito caótico da cidade ao besta-chefe que insiste em nos fazer sofrer. Tudo e todos podem desencadear arroubos de ira que nos fariam esmagar os cérebros e vísceras daqueles que se opõem ao nosso senso de certo e justo.

Todo irado sofre. Por dentro ou por fora! É o que Provérbios chama de doer os ossos (7:8).  Você pode brigar com todos e bradar impropérios tendo um ataque nervoso ou “um dia de fúria”. É possível que você seja um daqueles que engolem o choro e sofrem por dentro, transformando assim o pranto em úlcera.

O que fazer então para combater tal sofrimento e tristeza?

Se você é cristão e ainda acredita na Bíblia de verdade, tenha em mente que:

1. Ira e ódio é pecado (I João 2:9). Nada justifica que você odeie o próximo, mesmo que ele seja um babaca dirigindo um Golf GTI socado no chão cortando todos a 140 km/h (Lucas 6:27-28). Jesus e João são claros quanto ao ódio, mesmo que possa parecer justificado. Se você se ira a ponto de sair do controle e respirar ódio (Efésios 4:29-30), está desagradando a Deus e seu Espírito (Gálatas 5:20).

2. A sua ira geralmente é injustificada (Efésios 4:26). Se você não está expulsando os mercadores do templo de Herodes, ou defendendo alguma causa biblicamente justificada por Deus a ira é pecaminosa (Provérbios 10:11;32). Antes que se justifique, frequentemente somos egoístas e damos mais importância em levar vantagem em nossos direitos (Provérbios 29:7). Duvido que se quer 10% de nossa ira seja motivada por ver o nome de Deus sendo jogado no lixo por causa da injustiça e da impiedade desses dias maus.

3. Vigie seu senso de justiça. Se você se ira com muita frequência é porque no final das contas você gosta de brincar de  Deus. Como diz Tiago 4:11-12: você acha que a sua lei particular é superior a Lei?  Pensa que está na hora de alguém legislar contra essa gente folgada que habita essa terra mequetrefe? É hora de colocar ordem pelo menos nos seus arraiais domésticos? E quem melhor que vossa majestade para executar a lei perfeita e fazê-la valer? Quem nunca pensou em jogar uns raios nesse povo assim como faz o Imperador Palpatine?

4. Não se justifique do seu pecado (I joão 1:8). Deixe isso para os psicanalistas e gurus de plantão que são (muito) bem pagos para achar culpados entre alguma mãe protetora ou um astro que colidiu com os anéis de Saturno. Você não precisa olhar para o pecado dos outros para achar a razão do seu sofrimento. De vez em quando é bom fazer como Jesus ordenou (Mateus 7:5): deixar de olhar o cisco no olho do outro e olhar o toroço que está bem na sua frente!

A ira é devastadora no homem. Causa culpa, ceticismo e sadismo cauterizando o coração em cinzas. Transforma o vigor em apatia como o leite pode se transformar em sangue (Provérbios 30:33). Irar-se e defender-se desse mundo cruel retaliando tudo e todos pode parecer uma escolha bem sensata e razóavel…

Assim como a sensatez de um porco que adora chafurdar na lama.

Dica:

Se você tem problemas de ira como eu, recomendo a leitura além dos textos de Tiago, Provérbios e Efésios 4 e esse livro que me ajudou um bocado: JONES, Robert, Ira – Arrancando o Mal pela Raiz – NUTRA

Use sua cachola na hora de votar

5 - setembro, 2010

Depois vai ser tarde demais!


IBAB Global emergente?

8 - agosto, 2010

Ainda não na telinha mas já aparece na Veja Global também chamada de Época.

No portal emergente criativo:

http://www.cristianismocriativo.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=557&Itemid=70

Dando o crédito no site da revista:

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI161499-15228,00-A+NOVA+REFORMA+PROTESTANTE+TRECHO.html

Fazendo barulho assim quem sabe ele não apresenta o Sagrado junto com o Gondim e a Ana Maria Braga?

Cozinharão uma grande muqueca neo-gospel-pós-missional-cristã-emergente-líquida.

Nota: estou passando por um momento de pausa na escrita. Ficarei mais algumas semanas sem artigos novos. Mas essa eu não podia deixar passar.


Para salvar a sua segunda, vote no Suplicy

5 - julho, 2010

Não estou falando da ministra do “relaxa” nem do senador boa praça. Falemos novamente desse espresso fantástico, tão saboroso quanto caro (R$ 4,90 pelo duplo no Shopping Iguatemi).

Xícara vazia e sabor marcante. Nada é demais no Suplicy. Cheiro e gosto de café torrado? Com certeza. Acidez? Na medida. Frutoso? O suficiente para lembrar que se trata de café dos bons.

Perfeito para salvar uma segunda cinzenta, modorrenta e sem jogos da Copa do Mundo.


Atento às eleições

25 - junho, 2010

A tal comunidade evangélica sempre se comporta mal nas eleições. É impressionante a falta de capacidade ao escolher um candidato. Os evangélicos já elegeram Maluf, Collor, Garotinho e até abraçaram Lula depois de chamá-lo de anticristo comedor de criancinhas.

Tem umas dicas que achei no blog do Carlos Bregantim sobre como um cristão deve tentar se livrar dos canditatos que aparecem na igreja na época eleitoral. Não concordo muito com algumas de suas idéias e acho o tal Caminho da Graça algo um tanto estranho (dou o benefício da dúvida).

DICAS:

01-Inteire-se do assunto, afinal você é um cidadão com direitos e responsabilidades, e vive num pais democrático em que, cada cidadão escolhe seus governantes e representantes nas instâncias publicas. Não de ombros. Leia, pergunte, participe de alguma iniciativa próxima de você que esteja esclarecendo sobre este assunto. Prefira iniciativas que não sejam na igreja, ou, pelo menos inclua uma outra iniciativa fora da igreja. Assim voce terá como comparar os discursos e propostas.

02-Desde já, vá construindo de modo consciente o seu voto, pois, isto pode impedir qualquer tipo de sedução dos lados interessados, sejam políticos ou lideres.

03-Acesse os programas dos partidos e dos candidatos, e trate direto com eles o que você entende que é o melhor para cada cidadão brasileiro, independente de sua religião, classe social, raça, orientação sexual , etc…

04-Confronte sua liderança sobre os acordos que já estão sendo feitos com políticos, partidos, grupos partidários, denominações e questione tudo que você entende que não condiz com os valores do Reino, sobretudo no que tange a justiça e propostas que tragam benefícios só para aquela comunidade.

05-Não acredite em profecias, revelações e qualquer discurso que direcione o voto do rebanho em favor deste ou daquele candidato. Não aceite e nem se dobre a pseudo autoridade espiritual que recomende ou obrigue os fieis a votar em alguém. Não acredite em declarações de politicos em palcos de igreja, pois, eles sabem como se portar e são orientados para agir e reagir segundo os modos de cada comunidade.


Passo #3: Comece agora com a Escatologia carpe diem: ”Jesus já voltou! Você não viu?”

16 - junho, 2010

“Pois o que testemunhamos neste dia de Pentecostes é nada menos, senhoras e senhores, do que a volta de Cristo”

(Paulo Brabo em sua viagem na maionese)

Se você chegou ao terceiro passo é porque está realmente interessado em mergulhar fundo nos mares do ateísmo-evangélico. Com certeza ainda está atordoado pelo estado de maravilhamento que o levou ao questionamento de tudo o que você ouviu sobre o Evangelho. O frescor do renovo de liberdade das regras impostas pelo livro antiquado chamado Bíblia fez com que tudo fosse finalmente sujeito a uma nova e brilhante interpretação.

O terceiro passo consiste em colocar um pé firme nessa abordagem. Uma pá de cal em qualquer tentativa de interpretação literal da Bíblia. Um golpe no coração da hermenêutica, sim, aquela ciência antiga que tenta em vão interpretar e explicar os textos bíblicos observando a gramática interna do texto, a crítica textual e a cultura e contextos da época.

É hora de você eliminar qualquer crença que remeta à volta de Jesus Cristo!

As evidências da segunda vinda de Cristo nas Escrituras são inúmeras (Mateus 24:3; 24:27; 24:37 I Coríntios 15:23; I Tessalonicenses 3:13; 4:15; II Tessalonicences 2:1) mas se o passo 2 foi bem executado você já arranjou outra interpretação para esses versículos que não seja a volta real de Cristo. Afinal não faz nenhum sentido aguardarmos a volta de Jesus se esse mundo está tão legal, tão bonito, só precisando mesmo de uma ajudinha nossa para ficar melhor e aí sim colocarmos a cereja no bolo.

Por isso que a Escatologia deve ser morta. A expectativa da volta de Cristo nos faria lealmente esperar, confiar e servi-Lo (Filipenses 1:9-11). Infelizmente não podemos mais esperar por isso num mundo onde as necessidades são urgentes. Olhar os lírios do campo e as aves do céu? Poesia não supre as necessidades de ninguém! O importante é discutir sobre como encher melhor os nossos estômagos. Num tempo remoto os cristãos discutiam como se daria a volta de Cristo. Hoje nem discutimos a forma mas simplesmente ignoramos o fato e bradamos em alto e bom som que não precisamos mais da sua volta para implantar o Reino. Outrora tínhamos uma doce e errônea pretensão de que como igreja faríamos tudo pelo Senhor e Ele só voltaria para empurrar a bola ao gol. Atualmente cremos que já ganhamos o campeonato e o Senhor Jesus é um cartola que erguerá a taça e entregará o cheque.

Então seja mais homem-humano-independente e jogue no lixo essa esperança infantil de que Jesus vai voltar e nos levar com ele para a sua morada. Cristãos adultos e intelectualizados sabem resolver seus problemas sozinhos e não ficam anseiando a volta de um Messias que os resgate da sua miséria. Jesus disse: “Bem aventurados os pobres de espírito porque deles é o reino dos céus”. A igreja pós-moderna diz que o reino é esse mundinho mequetrefe portanto contente-se em fazê-lo funcionar.

Como se faz com uma privada velha entupida tente consertar o mundo para ver novamente a porcelana. Quando estiver afogado durante o conserto você poderá gritar feliz da vida:

“A volta de Cristo somos nós”